Desafia-te! Transforma-te! / Desafíate! Transformate! - Imaginário

Sábado, 18 de Julho de 2015

“DESAFIA-TE!” é o mote do Rover Ibérico, em 2015.  DESAFIATE!, diríamos em castelhano. 

 O que não nos falta nos dias de hoje é desafio – a todo o momento nos pedem para lidarmos 

com situações extremas, a todo o momento somos chamados a dar provas do que somos, do que 

valemos, do que queremos fazer para marcar uma posição. Normalmente, para ultrapassar 

‘limites’. Os nossos, os dos outros, os que a nossa sociedade – ou o bom senso – nos impõem.

Muitas vezes isso causa-nos alguma angústia. Combinada com a adrenalina do desconhecido que 

iremos enfrentar, faz-nos tremer por dentro e por fora, e pensar “…não sei se sou capaz!...”

“Sem medo”, diz-nos Rosana, a cantora espanhola, na música ‘Sin Miedo’: …”se queres ter as 

estrelas busca o céu, não há sonhos impossíveis nem distantes, se formos como as crianças, sem 

medo de loucura, sem medo de sorrir…”. 

E este é o 1º desafio proposto: mudarmos sem medo o Nosso Mundo, a nossa casa, o espaço e 

pessoas com quem vivemos diariamente - com uma Acção de Serviço em Tribo. Não há sonhos 

impossíveis... Como? 

Tendo em conta a ‘Regra dos 3 P: Pouco, Próximo e Possível’. Entenda-se, com isto, que o que nos 

propomos fazer:

- deverá ser ‘pouco’ de cada vez, porque queremos dar passos seguros e não apenas ‘dar nas 

vistas’; 

- deverá ser  ‘próximo’ de nós, o suficiente para tocar quem connosco se cruza no dia-a-dia, 

porque o Dever do Escuta começa em Casa; 

- deverá ser  ‘possível’ de executar agora, porque ir à Lua seria interessante mas, com certeza, 

longe do nosso alcance imediato, e pouco mudaria este mundo - o daqueles a quem nos 

queremos dedicar localmente.

Assim, de forma simples como as crianças e como num jogo escutista, a nossa atividade em Tribo 

poderá ser vista como uma construção em LEGO, onde as peças somos NÓS, cada um com três 

peças/aspectos diferentes de Ser – consigo mesmo, com Deus, com os outros. Cada um de nós 

tentando encaixar-se num projecto comum, adaptando-se e transformando-se numa construção 

maior. Sem perder as suas características pessoais, de formato e cor. Criando ligações. 

Reconhecendo formas de ser idênticas. Ou distintas, mas complementares. Desafia-te a fazeres 

algo…

… e criarás um ‘turbilhão de construção’, com tantas outras peças semelhantes a ti! E então será 

de facto construído algo de concreto, um projecto em comum. Algo real e palpável. E aprendendo 

que, sem os outros, não teríamos capacidade para tanto.  E que a Vida tem uma Teoria: que o que 

interessa é a Prática!

Mas está atento: irás aperceber-te que consegues transformar o mundo, mas, ao mesmo tempo, 

esse Mundo irá transformar-TE a ti – pois quem participa como ‘peça’ de algo maior, muda de 

perspectiva, de ‘capacidade de encaixe’; ficarás a entender melhor a importância das ligações 

com outros; sairás do teu espaço de conforto e sentirás que recebes enquanto dás, aprendes o 

conceito de novos limites de grupo, de igualdade, de complementaridade. 

Porque, em Agosto, iremos ter a segunda parte do Rover, a grande reunião dos caminheiros, com 

todos os que vêm de Portugal e os que vêm de Espanha. E nessa altura, será dada a oportunidade 

a cada um – caminheiro/companheiro – de escolher um Desafio, o seu desafio pessoal, a ser 

vivido com outros que o propõem e que partilham o mesmo interesse em ultrapassar o seu 

próprio limite. E de sentir que há ‘outras peças’ de LEGO, agora diferentes, que na mesma se 

encaixam e permitem outras construções fantásticas. Ao alcance de todos.

E depois? Depois celebrar! Celebrar em conjunto as descobertas e o gosto de ‘ir mais longe’, e de 

deixar construção feita. Viver e partilhar as vivências. E constatar o que mudou em nós.

Quando as peças de LEGO se separarem de novo, os nossos três aspectos iniciais provavelmente 

mudaram alguma característica, ou a cor, ou a forma… embora a sua essência como peça de 

construção permaneça. Quando nos envolvemos assim numa construção em comum, raramente 

ficamos na mesma. Porque voltamos mais ricos, diferentes em alguns aspectos, sem perdermos o 

que somos, mas transformando-nos, aos poucos, com a construção de que fizemos parte. 

Por isso, não tenhas medo e TRANSFORMA-TE!  …ou TRANSFÓRMATE!, diríamos em 

castelhano… e “…o que está mal se irá tornando bom, e as ruas irão confundir-se com o Céu, e nós 

seremos aves sobrevoando o chão, assim, sem medo...”

Escrito para a Flor-de-Lis de Março de 2015