Voluntariado Hospitalar: caminheiros arrancam sorrisos

Sexta-feira, 07 de Agosto de 2015

Vinte caminheiros estiveram esta quinta-feira, 6 de agosto, a distribuir sorrisos no Centro Hospitalar do Alto Ave, Guimarães, sob o mote “Oliveira a Sorrir”. O principal objetivo da atividade era trabalhar com as crianças a forma como estas encaram o hospital, o médico, o internamento, etc. Mas, naturalmente, a interação foi muito mais abrangente acabando por tocar familiares, profissionais e outros doentes. Para realizar esta tarefa os caminheiros contaram ainda com o apoio de atores caracterizados de palhaços.

Os caminheiros foram recebidos pela enfermeira adjunta da enfermeira diretora, Conceição Silva, que lhes fez um pequeno breafing sobre quais os cuidados a ter na visita aos serviços do hospital e como interagir com os doentes. “Quando recebi os caminheiros alertei-os para algumas situações de maior fragilidade humana nomeadamente nos serviços de oncologia em que a doença em si acarreta consigo um estigma relativamente ao prognóstico e que está muitas vezes associado à ideia de morte. Esta ideia de morte acompanha muitos doentes desde que a doença aparece e isto influencia muito o humor destes doentes. Os caminheiros foram aconselhados a aproximarem-se de uma forma serena mas rapidamente todos se ambientaram”, explicou Conceição Silva.

O voluntariado hospitalar foi encarado, até pelos próprios organizadores, como sendo uma temática sensível. Augusta Silva do Agr. 366 de Brito, coordenadora do desafio, confessou algum receio relativamente ao sucesso da iniciativa por causa do formato do próprio Rover Ibérico formato este em que os caminheiros não se conhecem antes da atividade.

“No início estava com um pouco de receio porque como os caminheiros não se conheciam estavam um pouco parados. Como é que iam fazer animação se eles próprios não fossem animados? Aos poucos e com os dois atores, que também foram escuteiros, os caminheiros foram orientados e conseguimos, está a correr muito bem”, valorizou Augusta.

Conceição Silva sublinhou a reciprocidade de benefícios na interação entre doentes e caminheiros. “Acho que esta convivência tem um efeito muito positivo para os doentes porque estão isolados do exterior. Os jovens trazem um ar mais fresco e alegria. As crianças adoraram! A aproximação ao outro, mesmo não sendo profissional, pode trazer elevada satisfação pelo reconhecimento, pela gratidão e pelos sorrisos com que são presenteados. Porque dar também é receber, julgo que esta experiência já serviu para pelo menos sentirem isso”.

Duarte Mendes do Agr. 697 de Rossio ao Sul do Tejo, participante da atividade, apesar dos receios iniciais faz um saldo bastante positivo da atividade.”Faço um balanço bastante positivo. Os escuteiros devem dar o exemplo, a saber servir o próximo, a dar uma palavra amiga, porque as pessoas precisam disso. Eu nem sequer queria vir para este desafio porque, confesso, estava com receio de não conseguir dar aquele bocadinho de mim. Será que vou conseguir fazer com que aqueles miúdos sorriam? Será que eu vou fazer da melhor maneira? Mas essas dúvidas rapidamente desapareceram”, afirmou.

Esta atividade, desenvolvida pelo CNE, foi inédita no Hospital de Guimarães mas a vontade de continuar a arrancar sorrisos é muita. Assim sendo, ficou em cima da mesa uma possível reação em cadeia com a possibilidade de se desenvolverem mais iniciativas deste cariz no Hospital de Guimarães. “É a primeira vez que existe uma atividade do CNE no hospital. Nós quando recebemos a ideia pensamos logo em dar continuidade pela mensagem positiva que traz aos nossos doentes. E se for mantida julgo que vai ser uma mais-valia para os nossos utentes”, contextualizou Conceição Silva.